Que detalhes na moda uniram Michelle Obama, Pipa Middleton, Amal Clooney e a rainha Isabel II? As rendas e os bordados de St. Gallen

A indústria k-beauty – uma tendência que está na moda
Também a nossa moda foi feita “refém” no Golfo Pérsico…
A indústria k-beauty – uma tendência que está na moda
Também a nossa moda foi feita “refém” no Golfo Pérsico…

Michelle Obama veste casaco e vestido de renda (suíça) guipure (imagem da esquerda)
@purepeople.com.br 
O vestido de noiva de Pippa Middleton da delicada renda (suíça) guipure (imagem da esquerda) @vogue.globo.com   

A herança têxtil deste cantão e cidade no leste da Suíça caracteriza-se pela produção de alguns dos produtos têxteis mais prestigiados do mundo, como sejam os tecidos bordados e as rendas de St. Gallen.

Bordados e rendas de St. Gallen no Museu do Têxtil, em St. Gallen, Suíça

Tradição aliada a estilo e marcas de moda tal como recordamos o coordenado de Michelle Obama em 2009, o top cor-de-rosa na coleção SS13 de Oscar de la Renta, o vestido de noiva de Pippa Middleton em 2017, e o mais recente vestido da coleção de alta costura FW25 da Chanel. Eis alguns dos exemplos mais mediáticos da incorporação do bordado de St. Gallen na moda. Referências que merecem uma incursão pela história e pelo museu do têxtil desta cidade.

No início do século XIX, uma grande parte da população de St. Gallen dependia da indústria têxtil: a região produzia linho e algodão, exportando para Lyon, um mercado-chave e a invenção da máquina de bordar manual em 1828 (e, mais tarde, da máquina Schiffli) transformou a produção artesanal do bordado e da renda numa indústria global em massa, detendo a região, ainda hoje, a chancela de “património mundial têxtil”.

Entrada do Museu do Têxtil, em St. Gallen, Suíça                                                                                               
Bordados e rendas de St. Gallen no Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça

No início do século XX cerca de 50% da produção mundial de bordados provinha deste cantão. E os produtos têxteis dali resultantes constituíam, na altura, cerca de 18% das exportações totais da Suíça.

O bordado de St. Gallen aplicado em diversas peças de vestuário, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça

Nos bordados é incontornável referirmos a renda guipure ou, como também ficou conhecida, “renda química” – bordado feito sobre um tecido, normalmente seda, que é posteriormente dissolvido quimicamente, deixando apenas o rendilhado de fio.

Esta técnica passou a marcar presença em peças de vestuário, roupa interior e têxteis-lar.

A renda guipure aplicada em diversos vestidos, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça
 
A renda guipure, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça

Produzidos maioritariamente para exportação, os bordados de St. Gallen conheceram um enorme sucesso até 1912, sendo particularmente apreciados nos mercados francês e norte-americano.

 
Réplicas de rendas guipure, como aplicadas no início do século XX em Paris, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça

Durante a Primeira Guerra Mundial, o interesse pelo bordado de St. Gallen entrou em declínio, registando-se uma recuperação modesta após a Segunda Guerra Mundial. Para além das Guerras Mundiais também as mudanças na moda (o zeitgeist) causariam uma crise profunda no setor.

 
A renda guipure aplicada em diversos vestidos, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça

Respondendo às atuais demandas do mercado, a indústria têxtil da região evoluiu no caminho da incorporação de tecnologias de ponta (produção de tecidos técnicos, cortes a laser, bordados digitais, entre outros) destacando-se pela combinação entre a (requerida) evolução tecnológica e a sua longa e notável tradição artesanal.

Este património tem sido preservado, produzido e fornecido por prestigiadas casas suíças como a Forster Rohner, a Jakob Schlaepfer e a Bischoff Textil.

Este artigo foi também publicado como artigo de opinião na revista LuxWoman podendo consultá-lo aqui.

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